Sindicato dos Trabalhadores na Área de Trânsito do Ceará

A mulher no mercado de trabalho

 

 

 

 

Por Ediran Teixeira (Técnico do DIEESE)

A luta da mulher por igualdade de direitos e deveres com o homem é histórica. No Brasil desde o período colonial a mulher luta para inserir-se em pé de igualdade na sociedade. Neste período o papel da mulher branca era de sinhá, criada para ser dona de casa e madame sempre subserviente aos caprichos masculinos. Na casa grande e senzala a mulher negra era escravizada, fazendo serviços de empregada doméstica escrava, mucama, ama de leite durante o dia e subserviente ao marido negro a noite. Portanto a tripla jornada de trabalho da mulher remonta de longas data.

No final do século XX no Brasil, principalmente a partir dos anos 80, com o fim da ditadura militar, a nova cosntituição de 1988  e a  luta feminina por igualdade, começaram a fazer com a mulher passasse a se inserir de maneira mas intensa no mercado de trabalho.

Ampliou-se a participação da mulher na sociedade como um todos. Desde o acesso à educação até o mercado de trabalho. O Setor público passou, através de concursos públicos passou a abrir as portas para as mulheres. No setor privado os sindicatos, em suas negociações coletivas,  passaram reivindicar cláusulas específicas para incluir ou manter a mulher nos seus postos de trabalho. Clausulas como Creche e auxilio creche forma incluidas como conquistas que facilitaram a mulher a permanecer nos postos de trabalho.

Atualmente a mulher a discriminação da mulher no mercado de trabalho ainda persiste.  Ela tem mais anos de estudo, no entanto tem menores remunerações. Ocupa postos de trabalho tendo maior qualificação e ainda assim recebe os menores salários. Há poucas mulheres ocupando postos de trabalho de Hierarqui superior, como Cheges, Presidentes , Gerentes ou Diretores.

Os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Fortaleza -PED RFM de 2013 não são animadores para a mulher, eles apontam para uma piora nas relações entre homens e mulheres no mercado de trabalho, sendo que foi reduzida a presença feminina devido aos postos de trabalho gerados serem masculinizados, ou seja , as oportunidades de emprego deste mercado foram direcionadas para os homens, aumentando a desigualdade. Em 2013 15 mil mulheres saíram do mercado de trabalho.
A taxa de desemprego das mulheres historicamente é superior as dos homens e em 2013 foi 9,6%, enquanto a dos homens foi de 6,6%. Explica-se esse fato pela insistência da mulher em manter procurando emprego e por não encontrar com tanta rapidez quanto aos homens a taxa de desemprego permanece elevada. Apesar do tempo de procura por trabalho ter diminuído para homens e mulheres, a mulher ainda passa 6 semanas , ou seja,  um mês e 12 dias, a mais que o homem para conseguir trabalho.

Em relação ao rendimento médio o salário hora das mulheres é cerca de 77,2% do salário dos homens em 2009 e passou para 80,6% em 2013. Mesmo com essa aproximação a diferença posto que se transformássemos esses salários em salários de  220horas teríamos em 2013: para as mulheres R$ 1.181,7 e para os homens R$ 1.465,20, produzindo uma diferença de 283,50 a maior em favor dos homens.

Finalizando a inserção das mulheres no mercado ao longo dos anos melhorou, mas para tanto ela teve que estudar mais que os homens , por isso tem anos de estudo, não abdicou da joranda na residência, portanto labora jornada dirária, combinada ente trabalho e lar, muito superior a do homem, contudo recebe salário menor e teve, em 2013 menos oportunidade de inserção no mercado de trabalho já que os empregos gerados foram direcionados para homens no setor da construção civil e indústria, enquanto setores como o emprego doméstico, setor de seviços, especialmente os serviço públicos eliminaram postos de trabalho das mulheres.

Setores de Atividade

2012

2013

Total

Homens

Mulheres

Total

Homens

Mulheres

Total (1)

1.657

910

747

1.668

926

742

Indústria de Transformação (2)

303

154

150

315

165

150

Construção Civil (3)

134

130

(12)

142

137

(12)

Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (4)

388

228

160

397

232

164

Serviços (5)

799

369

429

781

363

417

Transporte, armazenagem e Correio (6)

63

57

(12)

63

58

(12)

Informação e comunicação; atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados; atividades profissionais, científicas e técnicas (7)

76

42

34

72

43

30

Atividades administrativas e serviços complementares (8)

80

59

20

80

60

21

Administração pública, defesa e seguridade social; educação, saúde humana e serviços sociais (9)

230

92

139

224

90

134

Alojamento e alimentação; outras atividades de serviços; artes, cultura, esporte e recreação (10)

217

105

114

215

97

119

Serviços domésticos (11)

124

9

114

113

8

105

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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